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Brasil em aliança estratégica com a África

O governo brasileiro avança em suas relações com a África a passo firme, com o dado da criação de um fundo especial para financiar projetos de desenvolvimento junto à entidade especializada dessa região e ao Banco Mundial. 

Por Fabíola Ortiz, na agência IPS


O Brasil quer estabelecer uma associação estratégica com a África e sua ferramenta é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), junto com o multilateral Banco Africano de Desenvolvimento.

"Há um déficit de financiamento de US$ 40 bilhões para um leque de 50 projetos, diante do qual o Banco Africano de Desenvolvimento tem que aumentar sua escala de capitalização e atuação", explicou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Porém, esta cooperação não deve ser apenas entre as entidades públicas, mas também deve se dar entre bancos privados no mercado de capitais, acrescentou.

O anúncio da aliança foi conhecido durante o seminário “Investir na África: oportunidades, desafios e instrumentos de cooperação econômica”, organizado no dia 3 no Rio de Janeiro pelo BNDES, que reuniu delegados de instituições de desenvolvimento, empresários e personalidades como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011).

Nesse contexto, o presidente do banco BTG Pactual, André Esteves, também anunciou o lançamento de um fundo de capital de risco no valor de US$ 1 bilhão para investimentos na África. “Será a maior contribuição privada para investimentos nesse continente” e uma demonstração de afinidade do empresariado com esta estratégia governamental, destacou.

Os desafios da África são muitos. É preciso integrar o continente tanto em transporte, portos e ferrovias quanto em telecomunicações, gestão de recursos naturais como água e desenvolvimento energético e na luta pela segurança alimentar, afirmou o vice-presidente para a África do Banco Mundial, Makhtar Diop.

Para aumentar sua competitividade no contexto mundial e resolver o déficit de infraestrutura regional, a África precisa de pelo menos US$ 68 bilhões até 2020, segundo cálculos do Programa de Desenvolvimento de Infraestruturas na África (Pida). O Banco Mundial apoia o Pida, formulado pela União Africana com a Organização das Nações Unidas e a Nova Aliança para o Desenvolvimento da África. “Trabalhamos juntos para incrementar o programa, que é uma janela de oportunidades para os países mais pobres”, acrescentou Diop.

O diretor do Banco Africano de Desenvolvimento, Alex Rugamba, explicou à IPS que o “Pida cobre os setores de transporte, energia, recursos hídricos e as tecnologias da informação e comunicação (TIC). Foi desenhado para um período de 30 anos, pois sem infraestrutura não seremos capazes de atender a meta de crescimento de 6% da economia do continente”. Rugamba entende que, para haver crescimento sustentado nas próximas décadas, é preciso priorizar este programa. Apenas na área energética são necessários US$ 40 bilhões em investimentos, ressaltou.

As exportações brasileiras com destino à África passaram de US$ 2,4 bilhões em 2002 para US$ 12,2 bilhões no ano passado, enquanto o intercâmbio total de compra e venda saltou de US$ 4,3 bilhões para US$ 27,6 bilhões no mesmo período. Diop e Rugamba concordam que o Brasil desempenhará um papel de grande relevância no incremento e na consolidação dos investimentos em infraestrutura na África. “O Brasil tem experiência no processo de controle dos recursos hídricos, está adiantado no campo da energia limpa desta fonte, com grandes centrais instaladas e em construção, e conta com excelente trajetória na mineração e produção de petróleo”, apontou Diop.

A África é um mercado novo, disse a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, ao ressaltar que a empresa está presente em Angola, Namíbia, Líbia e Nigéria. Acrescentou que ultimamente “foram descobertas importantes reservas em Gana e Uganda, enquanto a produção na Nigéria hoje é de 58 mil barris (de 159 litros) de petróleo por dia e em Angola de dois mil barris/dia”.

O presidente da mineradora Vale, Murilo Ferreira, destacou que esta empresa tem investimentos no valor de US$ 7,7 bilhões em nove países africanos, com projetos em cobre, carvão, ferro e níquel. Ferreira ampliou a informação sobre investimentos gerais na África ao informar que em Moçambique estão sendo construídos 900 quilômetros de ferrovias e um porto de águas profundas.

"É uma visão de longo prazo e queremos alcançar uma forma sustentável em relação ao meio ambiente e a responsabilidade social", indicou Ferreira. "Precisamos aumentar o diálogo com a sociedade local, pois não queremos ficar como imperialistas. Estamos dispostos a atender as reclamações de cada lugar onde atuamos, pois não somos perfeitos e às vezes nos equivocamos. É preciso ter humildade para reconhecer os erros", acrescentou o presidente da Vale.

Por sua vez, Lula exaltou a ação do Brasil para estreitar laços e cooperar com as economias africanas. Este é “um momento que requer audácia para construir uma nova África”, declarou. “Paz, democracia, crescimento e distribuição da riqueza são as marcas registradas da África para o Século 21. A hora é de união e solidariedade. Hoje existe um mar de possibilidades para serem aproveitadas pelos brasileiros, por outros sul-americanos e africanos”, enfatizou. Lula afirmou que não se pode ver a África “com um olhar do passado, como simples fornecedora de minerais e gás”. “É preciso buscar sócios africanos. Não queremos hegemonia, mas alianças estratégicas”, defendeu.


Fonte: www.vermelho.org.br

Brasil considera que China ajudará na integração regional latino-americana

Madri, 28 mar (EFE) - As crescentes relações comerciais entre China e os países da América Latina e o Caribe ‘fomentarão a integração regional e, por sua vez, a da região no conjunto da economia internacional’, segundo afirmou nesta quarta-feira em Madri o embaixador do Brasil no país asiático, Clodoaldo Hugueney.

O embaixador foi o principal participante da conferência ‘O Momento Atual da China e as Relações com o Brasil, América Latina e Caribe’, que aconteceu na Secretaria Geral Ibero-Americana (Segup), para a qual também foi convidado o embaixador chinês na Espanha, Zhu Bangzao.

Antes de seu discurso, Enrique Iglesias, secretário-geral ibero-americano, destacou a importância da China para as economias do mundo e, especialmente, para os países emergentes latino-americanos.

Nesse sentido, Hugueney ressaltou o ‘grande entendimento’ que há anos existe entre o Brasil e o país asiático, com o qual desenvolve ‘um plano de ação conjunta’ em nível global, mas também ‘em determinadas áreas específicas’.

O diplomata brasileiro se referiu, entre esses setores, à tecnologia, ciência e inovação e ao meio ambiente, às energias renováveis e aos biocombustíveis.

Destacou também a importância no estabelecimento de novas pontes culturais, frisando que ‘é necessário reduzir a brecha do conhecimento recíproco’.

'Definitivamente se trata de mudar alguns aspectos em matéria de comércio e investimentos, mas também de diversificar. É preciso corrigir problemas, buscar soluções de comum acordo e desenvolver novas áreas', declarou.

Hugueney prevê ‘um futuro brilhante’ nas relações entre os dois países ‘em transformação’, assim como ‘uma nova geração de investimentos brasileiros na China’.

Para além das fronteiras brasileiras, indicou que a América Latina enfrenta o desafio de fazer com que a atual relação com o país asiático ‘seja ainda mais rica’.

'A China tem uma visão muito clara das mudanças que estão em curso no mundo. Hoje é um parceiro indispensável para qualquer país. Todos buscam desenvolver com ela novas relações', especificou.

Por sua parte, o embaixador chinês na Espanha, Zhu Bangzao, salientou o crescente interesse que seu país está despertando em nível internacional e as estreitas relações estabelecidas com o Ocidente.

A China se transformou na última década em um dos principais parceiros comerciais da América Latina, especialmente através da demanda de matérias-primas para alimentar sua elevada taxa de crescimento. EFE

Fonte: http://veja.abril.com.br

O tsunami comercial é mais ameaçador que o monetário

A crise financeira européia é um risco europeu, mas a política econômica adotada na Europa sob tacão alemão para supostamente enfrenta-la é um risco nosso: na medida em que toda a União Européia corta gastos públicos, salários, direitos previdenciários e outras formas de sustentar o consumo interno com o fim nem sempre explícito de gerar excedentes exportáveis a qualquer preço, são os mercados emergentes, e notadamente o nosso, que terão de suportar o ataque comercial. 

O governo começa a se dar conta disso, mas grande parte do empresariado, sobretudo o pessoal da Fiesp, ainda está focado quase exclusivamente na ameaça chinesa. Contudo, para nós, se a China tem sido um problema pelo lado das importações de manufaturados, ela tem feito parte da solução pelo lado das exportações de matérias-primas (sobretudo minério de ferro e soja). Claro que o iuan valorizado incomoda. Mas por que insistimos em não administrar melhor o câmbio? 

Já o potencial dumping comercial europeu é muito mais ameaçador porque, ao contrário da China, a União Européia esta fazendo uma política econômica que restringe importações ao mesmo tempo em que estimula exportações. E não só ela. Os Estados Unidos de Barak Obama pretendem dobrar as exportações em cinco anos, a partir de 2010, e o ministro da Fazenda japonês, numa carta-circular, orientou os presidentes das corporações japonesas a reorientar as exportações para os países emergentes, já que os países industrializados avançados estão estagnados. 

Pela primeira vez na história, teremos uma situação em que virtualmente todos os países industrializados avançados têm como política prioritária aumentar exportações e limitar importações, neste caso como consequência da queda do consumo resultante dos cortes de gastos públicos. A avalanche exportadora dos ricos recairá sobre nós, os pobres e os emergentes, na forma de destruição dos parques produtivos que já temos ou dos sonhos de tê-los algum dia, no caso dos menos desenvolvidos, liquidando os melhores empregos no nosso mercado de trabalho. 

Mais uma vez, é preciso desculpar a China: suas exportações têm caído significativamente enquanto as importações aumentam. Desse ponto de vista, está ocorrendo no país um saudável rebalanceamento de suas contas externas a partir do revigoramento do consumo interno. Existe aí uma clara política de estilo keynesiano, algo que passou a ser anátema na Europa. Lembre-se que, em termos relativos, a China fez o maior programa de estímulo do planeta no sentido de reverter a crise de 2008. Essa política ancorada em planejamento e financiamento de bancos estatais assegurou elevadas taxas de crescimento, só caindo para ainda elevados 7,5% neste ano. 

Não vejo como enfrentar o tsunami comercial proveniente da Europa e de outros países desenvolvidos a não ser por um rápido movimento na direção do aprofundamento da integração sul americana. Note-se que, individualmente, não seria possível ao Brasil, mesmo com uma política cambial decente, proteger seu parque produtivo com barreiras comerciais. Seríamos considerados párias no mundo e sujeitos a duras retaliações em nossas exportações. Contudo, enquanto bloco econômico, poderemos construir uma barreira tarifaria protetora, pelo menos por algum tempo -tempo para os países desenvolvidos alterarem sua política. 

Assim, a integração sul-americana, que em outros tempos foi um ideal político romântico, tornou-se agora um imperativo de sobrevivência. E não estou falando apenas em comércio através do Mercosul, ou de política e defesa, através da Unasul. Estou falando de integração econômica através do entrelaçamento de cadeias produtivas mediante a articulação de redes de empreendimentos comuns, que envolvam efetivamente os empresários privados e estatais da região. Isso interessa a nós, que temos um parque industrial relativamente avançado, mas também aos menores países da América do Sul, que legitimamente possam aspirar a algum tipo de especialização industrial, como na Europa do Norte. 

Com esse objetivo, já tramita no Congresso Nacional e no Parlasul um projeto de estímulo aos investimentos de integração produtiva na América do Sul. A intenção é que projetos similares sejam aprovados em todos os parlamentos regionais, o que poderia ser feito em tempo relativamente curto - ou mais curto que a discussão de um tratado -, abrindo caminho para a formalização de um bloco econômico. Se for feito rápido, isso dará tempo a que a Sra. Merkel, o Sr. Cameron, o Sr. Sarcozy (ou seu sucessor) tomem juízo e desistam de incendiar a Europa e o mundo, como fez a Alemanha 70 anos atrás por outros meios. 

J. Carlos de Assis 

Economista e professor da UEPB, co-autor, com Francisco Antonio Doria, do recém-lançado O universo neoliberal em desencanto (Civilização Brasileira). Esta coluna é publicada também no site Rumos do Brasil.

Fonte: http://www.monitormercantil.com.br 

Obama moves to simplify visa process

ON THURSDAY, the White House announced that President Barack Obama had signed a new executive order aimed at promoting travel to America by easing the visa process and reducing paperwork. This is good news. Gulliver has written before about the need for visa reform, which is a really simple, largely non-controversial way that America could boost its economy. Unfortunately, Congress, sclerotic and divided as usual, was unable to act—and Mr Obama had to do what he could on his own. 

Mr Obama’s executive order will reduce visa waiting times for Chinese and Brazilian travellers, move towards eliminating visas entirely for visitors from Taiwan, and take the Global Entry programme, which speeds pre-screened travellers through customs, out of the trial phase and make it permanent. Easing visa requirements for travellers from Brazil and China was one of the major planks of the US Travel Association’s “Ready for Takeoff”visa reform campaign, so this should be counted as a victory for the trade group, which represents a wide swathe of businesses that benefit from tourism. The group posted a swoony press release on its website praising the White House move. “The steps the president took today are significant and will boost travel to and within the United States,” said Roger Dow, the group’s president. “His timing could not be better.”

But there’s still a lot more that could be done on visa reform, and some of it can only be done by Congress. The big thing, of course, is hiring more people to process visas. The administration has called for a 40% increase in capacity on that front, but realistically, that will either require more funding or shifting money from some other priority. It seems unlikely that Congress will act to spend even the smallest amount of new money on something like this during an election year. Mr Obama also wants 80% of non-immigrant visa applicants interviewed “within three weeks of application”. That’s a great goal, but don’t be surprised if the State Department and Department of Homeland Security fall short. The president is a powerful man, but even he cannot fix America’s slow, clunky visa system with a wave of his hand. That will take money—and more money for visa processing and visitor screening just isn’t on the cards right now.

Fonte: http://www.economist.com

Obama ordena aumento do número de vistos para Brasil e China

Os Estados Unidos devem aumentar a capacidade de processamento de vistos para Brasil e China em 40% nos próximos 12 meses, ordenou nesta quinta-feira (19) o presidente Barack Obama, como parte de um pacote de estímulo turístico para seu país, anunciado na Disney World, na Flórida.

A ordem executiva divulgada pela Casa Branca pediu aos ministérios envolvidos para que preparem um plano em 60 dias que assegure que “80% das solicitações de vistos sejam atendidas em até três semanas” nesses dois países, salvo exceções que envolvam a segurança do país.

"As pessoas querem vir aqui. E China e Brasil são dois dos países com o maior acúmulo [de pedidos de vistos]. Então isso é o que estamos fazendo - dizendo ao mundo que a América está aberta aos negócios", discursou o presidente, segundo o jornal "Chicago Tribune".

Os requisitos para os turistas e homens de negócios estrangeiros têm sido motivo de queixas por parte de alguns países emergentes, que não pertencem ao chamado programa de isenção de vistos, o qual beneficia a maioria dos países europeus e as nações ricas e aliadas dos Estados Unidos.

Altos funcionários diplomáticos já anunciaram em novembro que aumentarão o número de funcionários nas embaixadas de Brasil e China devido a grande demanda de vistos.

Dos 820.000 brasileiros que pediram permissão para viajar aos Estados Unidos entre outubro de 2010 e setembro de 2011 (ano fiscal americano), 791.000 a obtiveram.

A demanda superou em 40% a cifra do ano anterior.

Os Estados Unidos concederam 885.000 visas a chineses, ante mais de um milhão de solicitações durante o mesmo período, num aumento de demanda de 34%.

Crescimento
Segundo cálculos citados pela Casa Branca, o crescimento das classes médias na China, Brasil e Índia devem provocar um aumento do número de viagens para esses países de 135%, 274% e 50%, respectivamente, até 2016.

O Departamento de Comércio calcula que os turistas chineses gastam mais de US$ 6 mil quando viajam aos Estados Unidos, com todo incluso, e os brasileiros cerca de US$ 5 mil.

A ordem presidencial acontece num contexto de perda de mercado internacional, explicou a Casa Branca.

"A participação do mercado americano no gasto dos turistas internacionais caiu de 17% para 11% entre 2000 e 2010", explicou o comunicado emitido pelo governo que detalha as medidas.

Ante esta situação, Obama anunciou seu objetivo de fazer dos Estados Unidos o primeiro destino turístico mundial para impulsionar a criação de empregos dentro do setor, informou a Casa Branca.

"Quanto mais gente visita os Estados Unidos, mais americanos voltam a trabalhar", disse o presidente em um comunicado após firmar um decreto convocando várias agências federais a tomar medidas para estimular a atividade turística no país.

Fonte: http://g1.globo.com

Mujica e Lula querem promover integração latino-americana
Presidente do Uruguai e ex-presidente querem construir grupo de personalidades para promover a integração latino-americana
São Paulo - O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, disse hoje que está trabalhando com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na construção de um grupo de personalidades para promover a integração latino-americana. “Estamos empenhados em formar um grupo de intelectuais e pensadores para dar corpo a uma doutrina para a integração”, ressaltou Mujica após almoçar com o ex-presidente em um hotel na zona sul da capital paulista.
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Lula foi para o encontro logo após ser submetido a mais uma sessão de radioterapia (a décima) para tratamento de um câncer na laringe. Segundo a assessoria do ex-presidente, devido ao tratamento, ele tem sentido um incomodo na garganta, especialmente quando come.
Mujica, que está de férias e visitou o ex-presidente em caráter pessoal, disse que o amigo Lula está com a “disposição” e “alegria de viver de sempre”, gesticulando para indicar que o ex-presidente vai bem “da cabeça” e “do coração”.
De acordo com o presidente uruguaio, a política latino-americana foi o principal tema da conversa de quase três horas. “Queríamos falar dessa política, de como ele [Lula] está vendo o mundo e os rumos da América”, disse. Mujica destacou que é preciso unir intelectuais da região para construir “a matriz de uma política de integração”.
A partir dessa construção, que deverá ser elaborada com ajuda do grupo que ele e Lula pretendem anunciar no futuro, em evento no Uruguai. A ideia é conscientizar os povos latino-americanos sobre a importância dessa união. “Os povos não se deram conta da importância concreta que tem o fenômeno da integração para suas vidas”. Segundo ele, as nações da região passaram 300 anos “de costas” uns para os outros, “olhando para a Europa”.
Ao falar especificamente sobre o Mercosul, Mojica fez uma avaliação positiva sobre o bloco. Para o presidente uruguaio, o Mercosul cresceu economicamente, mas ainda tem que superar algumas dificuldades institucionais.
Fonte: http://exame.abril.com.br
A Celac e a integração que se alarga diante da crise

Caracas, na Venezuela, foi a sede da reunião fundadora da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e que começou na última sexta-feira e se encerra neste final de semana com a sessão da Unasul. 

Representantes de trinta e três países fizeram parte deste projeto de integração regional que junto com a Unasul, o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações busca enfatizar a colaboração e associação entre os integrantes para sustentar o desenvolvimento. A união exclui os Estados Unidos e o Canadá, que se recusaram a participar, e integra a Cuba que está barrada na Organização dos Estados Americanos (OEA) sediada em Nova York. 

Hugo Chavez fez na cerimónia de criação da CELAC o seu regresso à cena internacional após a convalescença. E o presidente venezuelano deu uma dica sobre o motivo da aparição desse novo espaço multinacional: “Jefferson disse que o destino dos Estados Unidos seria absorver uma a uma todas as colônias espanholas. Foi assim que nasceram os estados Unidos. Está  na sua natureza. Esperemos que um dia isso mude”.

Os 33 líderes presentes em Caracas tiveram como principal objetivo o de definir os estatutos da Celac e colocar o novo espaço como alternativa à OEA que se mostrara frágil nos últimos episódios institucionais na região como o golpe contra Zelaya em Honduras e o episódio de revolta policial no Equador contra o presidente Rafael Correa, dentre outros.

Foram várias cerimônias protocolares das quais se destacou uma homenagem ao falecido ex-presidente argentino Néstor Kirchner, secretário-geral da Unasul no momento da sua morte, em outubro do ano passado, responsável pela retomada das relações entre a Colômbia e a Venezuela após anos de impasse e tensão entre os governos nacionais.

Segundo Chávez em seu discurso inaugural “está sendo colocada a pedra fundamental da unidade, independência e desenvolvimento da América Latina”. O presidente venezuelano fez questão de mostrar as cifras da Cepal (Comissão Econômica Para América Latina e o Caribe) sobre a região.

informe mostra que América Latina possui 31 por cento das reservas de bicombustíveis, 13% das reservas de petróleo, 47% de produção de cobre, 48% de produção de soja, 31 % de carnes e 23 % de leite que reforça seu potencial. Já na intervenção do presidente colombiano Juan Manuel Santos, foram definidos os principais problemas da região: “a pobreza e o narcotráfico são os inimigos a combater”, disse o mandatário colombiano que elogiou o novo espaço, mas advertiu o risco de “acelerar sem avançar”.

Presente em Caracas, a presidenta Dilma afirmou que a Celac é um fato político e econômico de “grande envergadura”. A integração regional, reiterou, é condição para que as economias da América Latina e do Caribe enfrentem os desafios impostos pela crise internacional, mantenham suas taxas de crescimento acima das registradas pelo resto do mundo e preservem seus ciclos atuais de desenvolvimento. “ O Brasil tem hoje uma economia sólida, diversificada e competitiva, mas nós não queremos olhar só para dentro do Brasil ou para a Europa e os países desenvolvidos. É chegada a hora de construir a nossa prosperidade em conjunto com todos os países da região”, concluiu Dilma.

Raúl Castro, presente na reunião, destacou “o feito trascendental” da formação da Celac e afirmou que “não há um ideário homogêneo nem coincidências ideológicas absolutas, mas temos a decisão de trabalhar com respeito e cooperação”. No mesmo dia que se cumpriam 50 anos do desembarque com o Granma na ilha de Cuba que deu início à revolução, Castro alertou que “há 180 milhões de pobres e 72 milhões que vivem na pobreza extrema nos nossos países, e é uma tragédia que devemos combater”. 

A presidenta argentina Cristina Kirchner também fez questão de mostrar estatísticas comerciais para fomentar uma maior integração e desenvolvimento conjunto. “Dos 33 países da Celac, doze integram a Aladi (Associação Latino americana de Integração) e os nossos países têm um comércio intra-regional de apenas 16 por cento, 84 por cento vêm das exportações/importações feitas fora dos nossos países”, informou Cristina para o resto dos presidentes e delegações presentes no prédio Tiuna onde Chávez ficou preso após o golpe de 2002.

Além do encontro principal, a capital venezuelana foi palco de reuniões bilaterais e de outros que visavam projetos que vão além dos estritamente econômicos para enfrentar uma recessão mundial que parece cada vez mais real e iminente.

Um desses projetos é impulsionado pelo Brasil e é o aumento das matrículas da Universidade Federal Latino-americana (Unila) para todos os estudantes latino-americanos e caribenhos. Em cinco anos, segundo Dilma, a Unila poderá ter dez mil alunos e 500 professores de toda a região.

Fonte: http://www.oreporter.com

Riqueza faz integração sul-americana funcionar

Desde 2007 o Brasil tem registrado, segundo a revista norte-americana Forbes, o surgimento de 19 novos milionários por dia, como reflexo do crescimento da economia, que continua em ritmo forte, principalmente se comparado ao de economias da Europa e à dos Estados Unidos. E o fenômeno deve se prolongar até meados desta década, projeta a revista.

Ao mesmo tempo, 54% dos consumidores brasileiros devem gastar mais dinheiro do que imaginam com as compras para o Natal, é o que aponta a Pesquisa Mundial sobre Presentes de Natal, realizada pela Wakefield Research para a Western Union entre os meses de setembro e outubro, com 500 pessoas. A cifra representa mais da metade dos 77% da população que pretendem criar um orçamento para nortear os gastos. Em média, os brasileiros gastarão R$ 792,00 em presentes neste final de ano.

Neste Natal, 76% dos brasileiros declaram ter a intenção de realizar cortes orçamentários para chegar ao final do ano dentro de suas metas.

O peso específico do Brasil cresceu na América Latina. Isso explica, em parte, por que a pobreza e a indigência atingiram os níveis mais baixos dos últimos 20 anos nos países da região, de acordo com relatório divulgado ontem pela Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal). Dados do Panorama Social da América Latina 2011 indicam que, entre 1990 e 2010, a taxa de pobreza nos países latino-americanos caiu de 48,4% para 31,4% da população; e a indigência caiu 10,3%, de 22,6% para 12,3% dos habitantes. Neste ano, a expectativa é que o número de latinos na pobreza caia para 174 milhões, dos quais 73 milhões em pobreza extrema.

Enquanto isso, a integração física dos países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) está saindo do papel. Ontem em reunião de ministros das Comunicações dos 12 países que formam a (Unasul), o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, pôs em discussão o projeto de interligação das redes de fibra ótica dos países da América do Sul. Ele permitirá que diversas prestadoras de serviços de telecomunicações possam utilizar a estrutura, sem precisar recorrer às redes da América do Norte. A iniciativa deve viabilizar a oficialização do bloco.

Fontes: http://www.dci.com.br

Telecomunicações: Interligação sul-americana custará US$ 100 milhões

A interligação da infraestrutura de telecomunicações dos países sul-americanos, projeto que está sendo discutido no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), custará US$ 100 milhões. Essa é a estimativa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que também informa que o prazo de conclusão é de dois anos. O investimento será feito na interligação com fibra óptica das redes já existentes usadas hoje no setor elétrico ou energético, como é o caso dos gasodutos. O valor, entretanto, representa apenas uma fração do custo total do projeto, que inclui também cabos submarinos que ligarão a costa brasileira aos EUA, Europa e África.

No discurso de abertura da reunião dos ministros de infraestrutura ou comunicações dos países membros da Unasul, Bernardo destacou a importância do projeto que contribuirá para reduzir o custo da banda larga na região. “Um provedor de serviço de conexão à Internet na América do Sul paga, no melhor dos casos, três vezes mais pela conectividade internacional do que um provedor localizado nos EUA. E essa é uma realidade que precisa ser mudada com urgência”, disse o ministro.

Bernardo menciona dois fatores “fundamentais” para que haja uma redução nos custos da conectividade para os países sul-americanos. Um deles é o aumento da capacidade de tráfego internacional que será conseguida com a construção de mais cabos submarinos. O outro é a implantação de um sistema de conexão entre os países sul-americanos. “Em termos de integração regional, pouco adiantaria um país se beneficiar com a chegada de um cabo transcontinental em seu território se o país vizinho não conta com formas de acesso à mesma infraestrutura em condições economicamente viáveis”, disse ele.

Para a impantação do anel, os países membros da Unasul poderão utilizar suas empresas estatais, assim como fará o Brasil com a Telebrás. Em mercados onde há apenas empresas privadas, Bernardo sugere que sejam firmadas parcerias com alguma delas para que esta seja o agente nacional no anel. O projeto prevê a construção de Pontos de Troca de Tráfego (PTTs) nas fronteiras, o que permitirá que outras empresas se conectem ao anel sul-americano.

Amanhã acontece a reunião dos ministros do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan) onde será criado um grupo de trabalho para a discussão de alternativas técnicas e financeiras para viabilização do projeto.

Cabo submarino

O projeto de integração das infraestruturas dos países da Unasul está inserida na estratégia brasileira de ter um cabo submarino operador pela Telebrás. O projeto do cabo submarino Brasileiro, conforme já antecipou este noticiário, tem o objetivo de baixar o custo por Mbps trafegado no ponto de presença de Fortaleza dos atuais US$ 35 cobrados pelo mercado para US$ 15. A ideia é ter uma saída para os EUA (chegada em Miami, Jacksonville ou Virgínia), passando pelo Caribe e conectando com os países da fronteira Norte (Colômbia e Venezuela); uma outra saída para a Europa, passando por Cabo Verde e chegando na Inglaterra, Holanda  ou França (as opções ainda estão em estudo, mas a preferência é Amsterdan); um terceiro cabo ligando Fortaleza a Angola; e uma outra derivação para os países do Cone Sul (Uruguai e Argentina).

O projeto inicial é para um cabo de capacidade máxima de 32 Tbps, mas com capacidade instalada inicial de 2 Tbps. Pelas projeções da Telebrás, o tráfego brasileiro é hoje de 2 Tbps, sendo que cerca de 600 Gbps precisam acessar redes internacionais por meio dos cabos submarinos existentes. Nas contas da estatal, a capacidade internacional está mais ou menos equalizada com a demanda, e a oportunidade para a Telebrás é justamente entrar com mais capacidade reduzindo a margem.

Fonte: http://www.teletime.com.br

Integração das Américas pode representar “nova China”, diz Pimentel

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou nesta segunda-feira (14/11), no Rio de Janeiro, que a integração das Américas pode representar a emergência de um “player” equivalente ao que a China significa hoje para o comércio mundial. Na avaliação do ministro, que abriu hoje o 52° Congresso da Associação Latinoamericana do Aço (Alacero, na sigla em espanhol), na capital fluminense, a sobrevivência dos países da região depende de uma maior complementaridade das suas cadeias produtivas.

“Sozinhos, não seremos capazes de enfrentar esse novo cenário, no qual um grupo de países liderados pela China é capaz de produzir qualquer manufatura a preços mais baixos do que a média mundial. Precisamos avançar na integração. Falo de facilitar o trânsito de mercadorias, mas também de mão-de-obra. E, para tocar num tema de grande intetesse da siderurgia, de integração energética. O Brasil tem trabalhado com essa perspectiva”, disse.

Pimentel citou o exemplo da parceria Brasil-Bolívia na construção de gasodutos e a Rodovia Transoceânica, que abriu um canal de comunicação ligando o Porto de Santos aos portos da costa peruana. O ministro ressaltou, porém, que essa é também uma tarefa do setor privado e não apenas dos governos da região.

 

OMC

Ainda na palestra de abertura, Pimentel lembrou o impacto do câmbio no setor siderúrgico e citou o avanço da proposta brasileira feita à Organização Mundial do Comércio de discutir um mecanismo de compensação para desequilíbrios causados pela desvalorização artificial de moedas.

Esse mecanismo, que vem sendo chamado de “antidumping cambial”, não está formatado e será debatido no ano que vem no âmbito da OMC. Aos jornalistas, o ministro explicou que uma das possibilidades que poderiam ser estudadas seria a de permitir que os países afetados aplicassem uma sobretaxa a todos os produtos de forma a neutralizar a desvalorização da moeda em questão. A arbitragem poderia ficar a cargo do FMI ou de um conjunto de instituições financeiras internacionais.

Fonte: http://www.exportnews.com.br